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Somos todas Talírias: nota do MAIS em solidariedade a Talíria Petrone, vereadora do Psol Niterói, RJ

Na última semana de março, em sessão na Câmara de Vereadores de Niterói, a vereadora Talíria Petrone (PSOL) falou em plenário sobre direitos sexuais e reprodutivos da mulher, além da violência e necessidades das mulheres trans, durante debate na casa. Talíria, então, foi atacada pelo vereador Carlos Jordy (PSC), que é conhecido por seus posicionamentos políticos reacionários e por ser contra o debate de gênero.

Jordy é o mesmo que pretender conceder título de cidadão niteroiense a Jair Bolsonaro, como forma de homenagear o deputado famoso por disferir e incitar discurso criminoso de ódio contra mulheres, negros e gays. O vereador, também defensor do lamentável projeto Escola Sem Partido, postou nas redes sociais trecho do vídeo do plenário, onde Talíria o confronta pelo seu posicionamento sobre estes temas.

Em seguida, uma enxurrada de comentários com alto teor machista e racista, incitando a violência contra a vereadora, tomou a página de Jordy. Frases como “Por Falar em Gênero… Afinal, de Que Gênero é essa Estrupício…???” e “bota essa feminista de merda no seu lugar”, são alguns exemplos dos comentários de seguidores da página do vereador. Os ataques racistas sugeriam que Talíria estava drogada, se referiam a sua aparência e “incapacidade mental” de exercer o cargo. Lembrando que o caso ocorre na mesma semana em que Jair Bolsonaro, em discurso na Hebraica, compara negros a animais, afirmando (depois de suposta visita a um quilombo) que “O afrodescendente mais leve lá pesava sete arrobas. Não fazem nada. Eu acho que nem para procriador ele serve mais”.

Não houve nenhuma resposta de Jordy ou de sua assessoria diante dos ataques. Ao contrário, o discurso e posicionamentos políticos do vereador reforçam este tipo de reação. O crescimento de discursos de ódio na sociedade é alimentado permanentemente pelos Bolsonaros, Jordys e tantos outros reprodutores de ideologias fascistas, que têm vomitado suas posições publicamente, mas também tem encontrado resistência, vide escracho sofrido por Bolsonaro na Hebraica esta semana. E esta resistência precisa ser de toda a esquerda, para derrotar de vez este mal.

O MAIS se solidariza com a vereadora Talíria Petrone e repudia veementemente o ataque de ódio machista e racista sofrido por ela. Talíria tem tido uma importante intervenção de esquerda na Câmara de Niterói e principalmente nas ruas e nas lutas. Toda a esquerda deve combater ferrenhamente a violência e a reprodução destas ideologias reacionárias, que resultam na morte e violência contra milhares de mulheres, lgbts e negros. Nenhuma tolerância ao discurso de ódio, machismo, racismo e lgbtfobia! Mexeu com uma, mexeu com todas!

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